um iê iê iê romântico








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31.7.08




Já perdi a conta de quantas vezes beijei a tela.

Ah, o nome dele é Rafael. Rafael Luiz.
Hahahaha. Minha cara ter um sobrinho inglês com nome meio mexicano.
Rá!



lettuce 11:02 PM
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NASCEU


Oi sobrinho, são quase duas horas da manhã aqui no Brasil, você acabou de nascer e eu não posso te ver. Mas sabe? Tudo bem. Você chegou no futuro, saiba disso. Vamos nos ver um bocado por uma tela que se chama computador, até que possamos um dia nos ver ao vivo. Esse dia vai ser chato pra você, porque eu vou te dar muitos, muitos abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim. Você nasceu, você chegou e agora há mais um ser humano no mundo que eu amo. Que bom! Te imagino meio roxo, cabeludinho, meio espetado. E você é inglês, sobrinho! Que chic. Mas não esquece de ir ao dentista. Inside joke, rá! A tia é assim mesmo: random. Seu pai talvez não me deixe sozinha com você. Acho besteira pois acho que podemos viver muitas coisas juntos. Caramba! Como eu já te amo tanto e você acabou de chegar nesse planeta. Você nasceu no verão daí, menos mal. Seus aniversários vão ser de dias bonitos. Eu queria que você se chamasse Benjamim. Diz isso para os seus pais. Faz cara de Benjamim, faz! Vamos passear um bocado, vou te levar numa praia e fazer o maior castelo de areia que você já viu. Sobrinho sem nome, eu não sei se vou ter filho, espero que sim, e espero que vocês brinquem muito de Gato Mia ou The cat meows ou whatever. Mas vamos tentar falar português. Você ainda vai demorar 7 anos para ler essa carta. Holly smokes! 7 anos! Toda uma vida pra acontecer aí. Espero estar sempre perto mesmo quando não. Já vi que vou ser babona, então derramo por hora, por aqui. Por essa fantástica via de comunicação que nos será muito útil no futuro. Prometo não passar arquivos chatos em pps de tia velha. Depois explico o que é pps, não vai ser do seu tempo.

All of my love, futuro Benjamim. Hope so.
Tantos beijos,
Tia Lelê.


lettuce 11:10 AM
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30.7.08


in design we trust




Queria praticamente tudo. Minha vida seria mais divertida do que já é. Solução para os cotidianos chatinhos!





lettuce 12:25 PM
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28.7.08


Um pai ouve rádio, sentado no fusca bege e mal conservado enquanto seu filho retardado baba numa toalha no banco de trás do carro. O açougueiro espanta moscas e vê televisão. Fiéis dão as mãos num ex-cinema. O buraco passado nessa rua estreita, provocou balanço dos seios do lotação. Um rastro de fumaça de avião forma a letra F no céu juntamente com outras nuvens. A manicure de hoje é péssima. Com diferença de duas quadras, a temperatura cai 4 graus. Estou cada vez mais magra onde não deveria e cada vez mais gorda onde não queria. Dois meninos me dão tchau da mala de um carro. Corrigi miopia.

lettuce 5:56 PM
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25.7.08


Na espera infinita de 9 meses pelo meu sobrinho ou sobrinha (meu irmão é curioso mas a esposa inglesa nem tanto) me deparo com isso.
Um lenço, por favor.





lettuce 1:42 PM
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amo





Ô...





lettuce 12:56 PM
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24.7.08


Do Le Blon a Le Boy

Questiono o Leblon, mas com pouca audácia. Resmungo baixinho, não a ponto de causar danos físicos no bairro. Eu estava com fome e queria comer um pão na padaria. Padaria do Leblon. Pedi um pão com manteiga e presunto na chapa. Sim, presunto quente, visto que não como queijo e não sei explicar porquê a não ser porque não gosto e isso me basta. A chapa está fria, alertou a mocinha que não deve morar por ali. Dã. Deau. Disse que tudo bem, queria pão com manteiga e presunto normal. Eu tinha fome e ainda tinha uma noite de aniversário, não sabia o que me aguardava, comer era preciso e todos os restaurantezinhos descolados me davam preguiça, fui na padoca mesmo. Comi rápida pois me esperavam para dar carona. Em tempos de bafômetro, uma amiga capricorniana é sempre uma boa.
- Quanto é, moça?
- Três e cinqüenta.
- Uau! Quanto é o pão com manteiga?
- Um real.
Após quase vomitar, tentei me recuperar.
- Só por colocar 3 fatias de presunto vocês me cobram mais dois e cinqüenta?
Mocinha calada. De fato, vai dizer o quê? Do quê sabe ela? Nada. Porra nenhuma. Prometi a mim mesma que voltarei lá, vou pedir um pão com manteiga de 1 REAL e comprar 20 gramas de presunto e montar meu sanduba na frente de vagabundo geral. Se bobear ainda arroto.

A Le Boy acabou também entrando no meu questionamento. Ao chegar, um homem urrou: “Porra, que mulherio todo é esse, hein, caralho?” O amigo explicou que era aniversário. Pisei em ovos e sorri com meu casaco escrito “PERU” jurando que faria alguma diferença. Um senhor me manda guardar a bolsa com uma tiazinha por três reais. Eu digo que quero ficar com a bolsa na pista, afinal, celular, dinheiro, batom y otras cositas más. O senhor diz: “Não nos responsabilizamos por nada”. Fiquei com cara de ãh e senti o instinto me cutucar. Guardei a bolsa com a tiazinha e fui tentar dançar um som bate estaca horroroso. Com amigos, sim, claro, tudo é possível. Aliás, se não fossem eles... melhor nem pensar. Go go boys mexendo no pau de meia em meia hora, tentando de alguma maneira dar uma aumentada no volume que a mínima sunga denuncia. É hilário por demais. Uma beeesha que parece uma modelo, ele é magro, sapato bico fino, lenço da moda, chega com óculos escuros e se lança no andaime que tem, fazendo passos e girando de cabeça pra baixo no ferro. O go go boy de tal andaime nota que a platéia não olha mais para ele, coitado. A beeeesha dá tudo de si e quando acaba, gloriosa, percebe que todas as suas moedinhas do bolso (passagiii para casa) caíram no chão. De joelhos, já sem glória, ela cata desesperada. O mais divertido, obviamente foi o quase show de stand up comedy de uma drag queen. Essas filhas da puta sabem fazer humor, é impressionante. Nato. Sem teatro, nem nada. Sabem. Apresentou umas monas exageradas, bocarras, asas, cílios e maiôs. Aplausos, aplausos. Meu amigo sobe no palco, parabéns pra você, aquela coisa. A Le Boy tem uma vibração esquisita, mas você talvez nem acredite nisso. Ou quem sou eu com a minha boceta pra falar isso? Cansada e com somente um pão de 3,50 na barriga, decidor ir pra casa, achando que hoje já deu pra Le Tícia.
Dã. Deau.






lettuce 3:53 AM
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22.7.08


trânsito



ocultei o g do segredo, mas tá valendo.



lettuce 6:20 PM
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pra marina

(esse texto é velho, achei que tinha perdido no meu arquivo infinito do fotolog, qual não foi minha surpresa quando não o achei solto num word da vida)



tinha uma risada esganiçada, que me irritava um pouco. mas era mais velha que eu, e já tinha colocado cigarro e outras coisas na boca, o que me causava fascínio. éramos primas e fazíamos tudo juntas. me provocava de uma maneira não explicativa, apenas sensorial. me concentro, fechando os olhos para que o mundo não me perturbe, e tento lembrar mais, sempre lembrar mais. vida interrompida de maneira bruta e imbecil. o que foi mesmo que ela disse naquele dia antes d’eu ter dado um tapa na cara dela? me viu fazendo teatro. teatrinho. do colégio. afirmou como prima mais velha, que aquilo seria minha vida. repetiu de ano. gargalhávamos com os mesmos dentes. meu dentista era o dela. a guerra no golfo, janeiro de 91. marina vai para as ruas de paralelepípedos de são pedro d’aldeia e começa a pular com fúria e bradar: guerra! guerra! quebrou o pé. me encantava a paixão pela independência, pela busca das experiências, pelo ineditismo, pela coragem. a última vez que nos vimos, estávamos num quarto de outra prima, eu, ela e um menino de um ano. brincávamos com ele, fazíamos cosquinha. observávamos o princípio da vida. perguntei seus planos para o aniversário, 4 dias depois. me contou das suas idéias. era branca, tão branca que tinha varizes faciais. morreu completando outra idade. envelheci 20 anos. após o ritual de enterro, fui ao cinema, dopada, não podia ficar em casa, não podia ficar parada, não podia existir depois. cogitei correr nua pelas ruas, mas eu ainda não tinha 18 e isso me soava difícil de explicar se me pegassem. percebi a sutileza e o silêncio da morte. fui atrás da paixão pela independência, da busca das experiências, do ineditismo, da coragem. tem um tempo. achei um caderno de perguntas, você sabe, aquele caderno com perguntas, todos respondiam. uma besteirinha. ela respondeu. com fome, lia todas as suas respostas, pois ali se fazia presente viva. era um telefonema. a pergunta de número 32 era: “você tem medo, de quê?” eu e minhas curiosidades acerca do ser humano. desde sempre.
ela respondeu: de morrer cedo.

Flores que parecem nariz, do alto desse coreto, eu espero na escadinha, enquanto você caminha até mim. Talvez chova essa tarde. Cai a lua. Girassol.


lettuce 5:20 PM
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21.7.08




Eu disse: Que triste, mas de certa forma, ela já devia estar cansada... não?
Aí ele disse: Que nada, ela disse na última entrevista que era muito feliz e todo dia cozinhava a própria comida.
Ai eu disse: É, que triste.

Musa inspiradora.



lettuce 7:48 PM
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17.7.08


Tijuca, minha




A Tijuca não existe, e eu, portanto, invento caminhos e pessoas. Mas acreditem em mim quando eu contar isso:

Tive uma vida de oito anos de aparelho, a conseqüência é um sorriso bacana que condiz com a gargalhada. Agradeço ao Dr. Antônio e a meus pais que pagaram fortunas. Mas no fundo-no fundo, tenho dentes meio fracos, apesar de raízes enormes que quase me matam na hora de arrancar o siso. Bonitinha mas ordinária. Inclusive já tive até que tratar um canal em um dente. Terror, aflição e sangue. Passei um dia coçando a gengiva com a língua. Aquela coisa inicial gostosa. De repente, começou a doer e lá fui eu ao Nilo, dentista da família e meu conhecedor há 20 anos. Figura de sobrenome Máximo. Saí do Nilo com risadas, oralmente anestesiada, broncas por deixar de ir lá e com saudades de andar ao léu pela Tijuca bizola, amada & odiada. Esperava o amor ligar e então fui passear. Praça Saens Peña. Uma mini Copacabana, mas muito mais retrógrada e tradiça. Resolvo sentar num banco onde duas senhoras conversam. Eu sento. A senhora de óculos começa: “Que dentes bonitos você tem!” Rio da coincidência ou da falta dela e da praticidade do mundo se mostrar mundo para mim e agradeço. Ela continua: “Mas você é realmente muito bonita, minha filha”. A amiga, portuguesa por sotaque, emenda: “De fato, um moça muito elegante.” Eu agradeço de boca um pouco torta. E começamos uma conversa pra lá de antiga. Nisso, um homem com calça camuflada começa a pregar a palavra de Deus para uma praça que não lhe olha. Os homens jogam buraco e não ligam. Casais em outro bancos não param o beijo. E o homem urra: “Deus não abençoa os ladrões”. Para meu espanto, a senhora portuguesa até então mais tímida, grita: “Mas o ladrão não nasceu ladrão”. A senhora de óculos, constrangida, faz sssshhhh para amiga que acabara de se revelar anarquista. O amor liga e eu preciso ir embora. Me despeço e ouço um “Cuide bem dos seus dentes, minha filha” que me deixa arrepiada e com vontade de passar fio dental até sangrar tudo. Levanto e vejo uma garça no laguinho que sempre foi sujo e sempre alegrou descamisados no verão. Nisso, uma mulher, já senhora, mas com efeitos de plástica, coordena um fotógrafo atrapalhado: “Isso, aqui, agora assim. Vai” Ela está com um guarda-chuva mezzo brega, mezzo dispensável. Ela senta no chão, aos pés do laguinho tijucano e grita: “Pega a garça ao fundo”. As pessoas param e observam o editorial cafona. Me junto a um grupo de curiosos e tentamos adivinhar quem é ela. Mas desisto de tentar quando dizem que ela fez “Barriga de aluguel”. Minha memória vai até a esquina. E volta. Mas o melhor, o que me fez delirar foi quando uma empregada doméstica (digo isso pois ouvi sua profissão, meu julgamento é tão fora da realidade que poderia pensar qualquer coisa dela) ficou olhando atentamente a modelo sentada aos pés do chafariz, e o fotógrafo Glamour Foto Studio dizendo uma ou outra coisa sem sal. Ao ver um saco plástico compondo a foto, a empregada doméstica não pensou duas vezes: virou diretora de arte.
- Tira esse saco plástico debaixo do seu pé, minha querida.
Saco no lixo, flash liberado, foto feita e todo meu amor pela Tijuca de volta.







lettuce 9:53 PM
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lettuce 6:15 PM
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16.7.08


salvei com o nome de "eita ferro"






lettuce 11:06 PM
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Chegay.
Agora dei pra escrever cheguei assim: chegay.
Todo um simbologismo, né, meu bem?


lettuce 11:03 PM
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15.7.08


O Rio de Janeiro tem 9 milhoes de habitantes. Sao Paulo, 16. Dizem. Estou na cidade do Mexico. 26 milhoes de habitantes numa area esquisita, alta e quase sem verde. Comida mexicana, nunca mais! O intestino reclama e estranha as criancas que comem pimenta como se fosse maca. Claro, nao vou so reclamar. Coisas incriveis acontecem, como por exemplo ter entrevistado o Kiko. Sim, do Chaves. Mexico pra mim eh isso tambem. Frida, Cirilo, Maria Joaquina, luchas libres e claro, Chaves.
Dificil escrever em laptop. Estou voltando para o Rio e eh muito compreensivel perceber porque os turistas piram com nossa cidade.

Voce precisa... voce precisa...

lettuce 9:28 PM
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12.7.08




O México é chocante e eu demorei 3 minutos para achar o acento agudo nesse teclado. Agora, tem uma coisa: viajar para um país e nao (nao acho o til) ir para a capital direto é ma-ra-vi-lho-so. A possibilidade de reconheimento cabe muito mais numa cidade menor. Estou em Uruapa, cidade mais ao norte. Aqui tem um vulcao, chama Paricutin. Os primeiros sinais da terra respirando e derretendo foram em 1943. Eu ontem visitei o vulcao. Coisadeoutromundo. Um frio desgracado pra chegar, um guia com bafinho deusmelivre, e voila: um vulcao bem na mnha frente. Em vários pedacos ainda sai vaporzinho. Vaporzao. De suar, de querer tirar os 3 casacos que se usa. A terra respira e tem espinhas. É isso. Quando sozinha, canto bem alto, muito alto. Cantei no vulcao sozinha, esperando diretores e afins se resolverem em alguns pepinos, que alias, sao vários. Se alguém pensa que minha viagem é cheia de glamour, assassinem essa idéia AGORA. Cheguei ao México já cagando água e nao há nenhum lugar que se possa pedir "arroz com batata cozida". Sofro, e emagreco. Até o Doritos mexicano é mil vezes mais picante. Fato. Perto do meu hotel tem uma praca fofa, com um coretinho bonito. As pesoas se chocam muito com meu gigantismo. Ontem andei a cavalo e hoje observo os roxos da parte interior do meu joelho. A lan house é por demais engracada para eu comecar a tentar explicar como é. Um caminhao passa toda hora avisando que hoje é o último dia do circo na cidade. Nao consigo captar o nome do circo. Mas o espanhol mexicano é o mais fácil de todos os lugares que estive. Vai entender. Hoje vou para a Capital, dancar salsa e coisa e tal. O mundo tem cada canto que os centros sempre podem esperar. Eu curto chegar pelas laterais.



lettuce 12:28 PM
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9.7.08


I want to be all that I am capable of becoming

Pra minha surpresa, fui saber outro dia que a escritora favorita da Clarice Lispector, uma das minhas favoritas, era Katherine Mansfield, uma das minhas novas amigas e autora da frase título. Escitora neozelandesa (nunca tinha escrito isso antes, engraçado), de uma sensibilidade universal aguçadíssima. Me encanta. Descobri um poema do Vinícius de Moraes para ela. Honra. Dos contos mais famosos, tem o Bliss, delícia de uma manhã de quarta-feira. Parto para o México, num clima de Frida, tequila y luchas libres.


Beijo, Diego.


lettuce 1:12 PM
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8.7.08








lettuce 3:18 PM
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7.7.08


saiu ontem na revistiña de domingo do JB, matéria de Flávia Martin na coluna da Heloísa Tolipan.
ficou bacaniña, menina.


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lettuce 1:28 PM
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minha tia Erothildes

Tia Erothildes morreu, entendo enquanto dirijo numa rua cheia de filetes de sol. Cogito chorar, mas eu pulo rapidamente para as conclusões que tranqüilizam: estava tão velhinha ou Já estava tão mal de saúde.
Tia Erothildes. Irmã de minha vó Marphisa. Mulheres capixabas, da roça, colégio interno, pra casar. Tia Erothildes era o Papai Noel dos meus natais. Era assustador: usava uma máscara parecida com aquelas do Tancredo Neves que vendiam no Saara, roupas de cetim vermelho, e entrava na sala à meia noite para delírio dos pequenos e desprezo adolescente da minha gangue. Ríamos também dos presentes dados: uns chaveiros chineses, sabonetes duvidosos. Um dia, foi tão sem querer, eu gostei da Tia Erothildes. Ela me deu, num dia qualquer – era tão raro ganhar presente num dia sem comemoração específica, um caderno cheio de “poesias, prosas e quadras”. Escrito à mão por ela. Aquela letra caprichada. Dedicatória absurda, algo como “Que a poesia sempre te acompanhe”. Tia Erothildes ficou viúva com seus 70 e poucos. Tio Carlos era engraçado, e tudo que lembro é que grudava tampinhas de garrafa de coca-cola no corpo gordo e suado. Não sei porquê. Era divertido. Um derrame ocorreu e vai entender o que aconteceu na cabeça de Tia Erothildes depois disso. O nome, já com o peso do erótico, veio à tona. Aos 70 anos, tia Erothildes virou uma tarada. Primeiro se apaixonou por Daniel, sobrinho de 21 anos, meu primo mais cuidadoso com a parte geriátrica da família. Ela fazia corações com a comida e fazia a letra D no meio. Usava seu pouco dinheiro, com a ajuda das enfermeiras para comprar tênis importado para o admirado. Ríamos, e ela era séria e sofreu quando Daniel apresentou a namorada à família. Numa ida ao médico com minha mãe, comentou: “O senhor sabe, doutor, eu ainda tenho calores”. E na saída pontuou: “Um pão esse doutor”. Vieram remédios, derrames, os dentes caíram, fono, outras enfermeiras, o bom cidadão brasileiro Erotildes, um quase xará, não fosse pelo “h”, saiu na capa do Globo, ela sorria sem dentes e com a pele quase de papel. Sempre vaidosa, lenços e pulseiras, algumas que herdei. “Oi, tia Erothildes, lindas pulseiras”, eu sempre comentava a vaidade idosa. Ela tinha um quarto cheio de cacarecos, lembranças de muitas viagens feitas. E era muito, muito reparadora de rapazes bonitos. Tia Erothildes morreu, sem deixar filhos. Sempre disse que não se sentia apta para ser mãe. Acho engraçado. Acho o contrário. Tia Erothildes me deixa lenços, prosas, lembranças e principalmente esse nome que ecoa, me faz rir e ter saudades de uma época em que eu fingia acreditar em Papai Noel para os pequenos não descobrirem, e achava o maior barato naquele fingimento. Um céu cheio de galãs para todas as taras de tia Erothildes.


lettuce 1:04 PM
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3.7.08


Ana Cláudia disse:

- Hoje em dia é foda, você passa lápis no olho e dizem que você está imitando a Amy Winehouse. E Cleópatra nasceu quando, gente?



Adoro.

lettuce 4:37 PM
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1.7.08


ado, ado, ado, cada um no seu quadrado

Passei da idade de aceitar invasões alcóolicas ou sorrisos sintéticos de terceiros. Meu clã é meu clã. Não rola cadeado, o ir e vir é constante, alguns se sobrassaem em algumas épocas, outros em outras. O amor, esse, sempre incondicional. Natural dessa ação global. Na calada noite preta, noite preeeeta, o que mais acontece é a tal invasão do quadrado. É sabido por mim que fui escolhida pelos deuses para ter a paciência testada e provocada diariamente. Mamãe insiste na minha prática oriental, faça yoga minha filha, mal sabe a genitora, que minha vida é uma yoga. Respiro sempre 37 vezes para não arrotar um foda-se com gosto de pepino. Pepinos são tão arrotáveis, não? "Chega uma hora que a xereca seca", um dos mil lemas da minha facção. Sequei para os invasores, sanguessugas, que não proporcionam troca. Sequei legal. Deixei de ser vidro, eu me tornei um espelho. Cruz credo. Papai do céu, abençoa a Lapa. A feiúra me assusta de arrepiar o couro cabeludo. E não estou falando da feiúra do Sony, com a tal da Betty, que na real é a mais linda da vida. Ado, ado, ado. Cada um. Se eu praticasse kung fu, arrotaria foda-ses pela cidade. Envelheço.




Há plural para um foda-se?

lettuce 4:26 PM
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