tenho lido muita poesia, passeando os olhos por gente morta há muito tempo, pouco tempo, suicidas, gente viva, semi-mortos. um caos poético se apoderando de mim, de maneira suave e lunar. terrível / mente - só posso esperar com o canto dos olhos. queria aproveitar e dizer que acho o amor um barato. e que me curei das bad trips desse tal barato. lálálálálálálálálálálálálá quantas vezes eu puder cantar alto que LÁLÁLÁLÁLÁLÁLÁLÁLÁ
beijo, broto.
Antes da idade, antes de ser neta de um Alzeheimer, antes dos neurônios serem queimados, sempre, sempre fui além do mundo da lua. Concentrada sim, adorava a alfabetização, tudo aquilo fazia muito sentido para os meus 6 anos, mas sempre meio atrapalhada, embolada. Nunca diagnosticaram dislexia, mas era sabido que eu tinha um tempo muito específico, só meu. A primeira lembrança de troca, eu me lembro, era festa de 15 anos, alguém disse que os profiteroles estavam bons, eu que nunca tinha comido aquilo, bradei: “eu também quero protozoários”. E todos: num coro de “quá quá quá”. Depois a poesia ganhou espaço grandioso no meu tórax e percebi que tudo bem, que minha dislexia era poética. Num carro, querendo entrar numa rua que não podia, virei pra Camila (Codica, saudades!) e disse: “Ah, vou fazer essa balaiage”. O engraçado é que não reparo na hora. E a Camila rindo e chocada, confirmando: “Você quis dizer bandalha, né, Letícia?” Lipe também é rei de ouvir minhas dislexias poéticas.
- Você já leu O Pequeno cisne?
- O Pequeno Príncipe, garota!
- Não! O Patinho Feio!
“Usar saia pra mim é um precipício”, comentei com Tainá outra vez. Posso ficar horas contando. Muitas já se perderam, preciso anotar. Semana passada, Lucas disse que foi ao luthier na mesma galeria que faço pilates, ao que eu comentei: “Não sabia que tinha sommelier lá e bláblá”, desato a falar sobre outra coisa, e ele esperando a ficha cair. Quase não cai. A dislexia vai também pra outras línguas. Uma vez esqueci como era “cinzeiro” em inglês, ao que disse: “Can you pass me the... the... the thing were you put the dead cigars”. O pensamento é valioso e real. Pois é isso. Ou como quando usei a palavra “eject” para verbo: “Can you please eject the yogurt for me? Thanks” Ad infinitum. A cabeça visualiza um troço, a fala vai pra outro parecido. Repeti lingüística na faculdade. Significado? Significante? Waddarréu. Eu fico beirando, beirando. Mas faz sentido. Ô como faz. Há um tempo mexendo em pastas antigas me deparei com esse exercício, de 88, tinha eu 6, que ninfa, e para minha alegria entendi que essa poesia disfarçada de dislexia é amiga antiga.
estou fazendo uma valsa.
engraçada minha relação com o violão. lucas diz que a falta de estudo me genializou.
acho exagero do amor. mas tomo o violão no colo e sem a menor noção além do básico, passeio os dedos (que seriam melhores para um piano talvez) e com uma idéia de pensamento estranho e breve que tive às 15:30 enquanto voava pelo calçadão na praia, começo a cantarolar uma valsa.
essa é a minha
essa é a minha
dinâmica da solidão
dinâmica da solidão
eu não tenho culpa de tanta terra
ainda estou pra acabar, enquanto a isso, a quem quer que esteja lendo isso, nossas músicas ficaram prontas e algumas já podem ser ouvidas em lettuce transadiña.
fui na Sendas (ou no? ou nas? ihhh) e enquanto o amado escolhia vassouras ou algo do gênero para sua nova casa, eu fui me deliciar ou ficar impressionada com a sessão de brinquedos. a parte delícia é rever aquilo que um dia me fez tão feliz e a parte do choque é ver brinquedos um tanto quanto esquisitos e não tão divertidos - ou estaria eu idosa?
tudo bem. encontrei uma caixa velha e meio suja do balanço da moranguinho. salivei. eu tive. ou acho que tive. deliro. confundo com os brinquedos da minha prima. na dúvida, achei melhor ter agora. e voltei pra casa, sem boneca, mas com um balanço lindo, lindo. no alto da árvore você gira e um sistema sem pilhas (ê! maravilha) faz com que o passarinho saia de dentro do caule e o balanço enfim, balance.
graça.
só falta a boneca.
mas eu sempre preferi pêra.
será que acho?