Dentro da sua orelha
Uma abelha disse um segredo
Mas segredo mesmo
Senão é falar para o vento
Leva essa tristeza de abelha,
Deixa o mel e a cera
Abelha rainha princesa
Cheia de escravas atentas
Mel
Sobremesa
Uma mulher espirra contido, não daquelas que prendem e talvez com isso, percam a possibilidade de ter filhos, mas espirra pra si mesmo, para o próprio colo. Ela sabe que ao não direcionar a napa para o ar à frente, líquidos estarão em sua blusa, no seu peito. Até que não. Ela os sente na própria área facial. Com gesto minimalista, ela leva a mão até o rosto e recolhe sua meleca, encaminhando tudo para a região da boca. Engole. Um homem sentado numa cadeira na frente de um podrão, espera pela namorada. Eu sei porque eu sei. Uma mulher, contida de buceta dividida em w, e calcinha enfiada no cu, com remota possibilidade de ter oxiúrus, passa. O homem olha, vislumbrando a metida do próprio pau em qualquer buraco daquela passante. Fosse o w, fosse o oxiúrus. Ele visualiza. A namorada chega enquanto ele olha. Ela entende porque ela entende. O namorado desapercebido (seria isso um pleonasmo?) tenta dar beijo de oh-que-surpresa, ela vira a cara, eu abro o vidro e só leio a boca dizendo: “que tempo odioso”. Um pai sentado na praça com seu filho entre suas pernas faz carinho nas orelhas do infante. O guri derrete. Eu me desmantelo. O pai faz de novo. Os pedaços derretidos de menininho fofo, se desmancham de novo. Sinto carinho de cotonete e aumento de saliva.
Fiquei sem dinheiro, hoje fui de ônibus.
Uma senhora tenta passar o cartão de crédito no mercado. Digita a senha devagar, o moço boceja. Uma criança de seis, sete anos, oscila numa bicicleta. “Eu menti... quando disse que não te queria... quando disse que minha alegria era viver longe de você...” Um vendedor de queijo coalho confere o dinheiro antes de entrar num bar. Três adolescentes atravessam o sinal como se tivessem setas enfiadas no cu, tamanhos saltos que oferecem ao espaço. Minha prima voltando do curso, “oi-clariss...”. "Aí vem o desespero, tan tan tan, machucando o coração, tan tan tan e eu me entrego por inteiro...” Numa lanchonete, um mendigo estende a mão enquanto segura a calça com a outra. Não posso ver o pau mais sujo do mundo. “O amor faz a gente enlouquecer, faz a gente dizer coisas pra depois se arrepender...” Dois homens dormem embaixo de um caminhão. Cê sabe. Vou de táxi.
Juana Molina é uma argentina bacanosa, muito conhecida por lá por sua atuação em séries cômicas, mas a partir de 1996, ela, cujo pai é um cantor de tango e a ensinou a tocar violão com 5 aninhos, lançou seu primeiro CD, "Rara". Chapei bonita ouvindo seus gemidos e barulhos eletrônicos. Ela faz tudo sóla. Mente criativa com voz agradável. Viciei.
klimt me pertence, e agora através desse site aqui, você pode fazer parte do beijo mais delicado da história da arte.
semana retrasada, na rua-lixão do largo do machado, um grito engraçado me captou: um vendedor ambulante gritava "ó o guarda-chuva do botxchichéééle, gustááááviii klimmmtchx". seduzida fiquei e lucas comprou de presente um guarda-chuva (esse hífen caiu?) do klin para mim. o vendedor elogiou minha escolha. disse que aquele do "kliiimmmtchx" era bonitão.
também acho.