Um dia eu me apaixonei pelo mar. Era quarta-feira, eu andava numa eterna iminência de alguma coisa que me ganhasse e resolvi ir à praia visitar a MÃE. Era maio, o que torna fácil o apaixonamento. A temperatura da água era igual a de casa; era o exato equilíbrio que eu gostaria, manuseando torneiras. Não entrei no mar assim que cheguei. Fui espreguiçar os quase 2 metros de massa corporal que me foram concedidos. Fico feliz com os 2 pés na cabeça, mas não posso nem lembrar dos meus 7 anos e das estripulias físicas que eu me causava. Eu já pude bem mais. Mas agora também posso beber e fazer sexo. Ontem fiz a segunda coisa e foi bem bonito, foi silencioso. Caí. Já com o corpo maior, entrei na água. Deixei a cabeça para o final. Eu sempre acho que ouço murmúrios quando lá embaixo. Abro os olhos e vultos embaçados benzem minha retina castanha. Sou dessas que acredita em Atlântida. Um banco de areia. Eu quero sentar. É quarta-feira. As pernas abertas, não como bailarina, mas ainda assim, graciosa, em direção ao mar. Ele vem. Forte. Fraco. Lento. Num susto. De volta, eu também entrego. Peso bambo das pernas. As mão movediças na areia molhada. Sol na parte mais escondida da minha nuca. É maio. Eu estou apaixonada. O barulho da água no ventre. Biquini. Barriga. Onomatopéia do prazer. Levanto porque sempre deixo a cabeça para depois. Cardumes de topless numa ciranda autista. Penso tola "É uma arraia?"
Hoje foi o dia em que eu ficaria se chegada.
Sempre achei o Rio, fora do meu ambiente fraterno, meio careta. As festas com meus amigos não condiziam tanto com as festas que rolavam na cidade. Não vou nem entrar na questão dos nichos, dos atores de teatro, dos músicos, dos amantes da música eletrônica, dos boêmios do sambinha & tantos, TANTOS outros afins. O carnaval me fascinava quando era criança pela possibilidade da maquiagem, da fantasia. Conforme cresci, percebi que minha vida é um carnaval o ano inteiro, o que me deixou desgostosa com o que ocorre agora na cidade. E a grande preguiça que tenho de enfrentar trânsitos para chegar num local fedendo a mijo, perceber que trogloditas homofóbicos, agora estão usando roupas femininas e moças reprimidas, se utilizam da desculpa “é carnaval” para fazer qualquer coisa. Agora fujo mais que nunca e continuo fazendo meu carnaval em maio, julho, setembro. Com isso em mente, veio a idÉÉÉÉÉia de fazer uma festa divertida, juntando amores, amigos e ludicismo.
Portanto, dia 10 de junho, vai rolar a festa “Força na peruca”, com intuito de aquecer, adornar ou fazer as cabeças da rapaziada, só vai ser permitido entrar de peruca. Se preparem!
Minha banda LETTUCE vai tocar. Surpresinhas a caminho e depois, meu grande querido, João Brasil, vai atacar de DJ. Vai ser uma festa & tanto. Vamos carnavalizar esse outono lindo, meus caros.
fotos: Tainá Del Negri
pense numa tarde engraçada...
Lua mega cheia, no talo do halo, causando sangue adiantado, sensibilidade aguda e para minha agonia, transbordante; outono me comovendo demasiadamente, pôr-do-sol na Urca é cataploft no tórax. Suspiros. Ano passado, por esses dias, estava eu desbravando outros cantos da Latina, América, cansada de tanto trabalhar, voar, ficar em hotéis, saudades amorosas, saudades da possibilidade delirante de se entorpecer. Hoje revi quase todos os vídeos, coisa que só havia feito na época que foram para o ar. Senti orgulho de mim pela forma como apresentei o que me era inédito nesses nossos vizinhos. O outono por lá é bem generoso também, mais frio, mas igualmente acolhedor. Que eu possa um dia voltar, sem a pressa do trampo, mas com a calma de quem já esteve num lugar, e amou.